Agecold suspende coleta de vidro e 30 toneladas de recicláveis vão para o lixo comum

Agecold suspende coleta de vidro e 30 toneladas de recicláveis vão para o lixo comum

5 de novembro de 2019 0 Por jornalismo

A Associação dos Agentes Ecológicos de Dourados (Agecold) suspendeu a partir dessa semana o recebimento de vidros em Dourados. Com isso, as mais de 30 toneladas que estavam prontas para a venda serão descartadas no aterro sanitário. De acordo com a associada Adriana Souza Barbosa Rodrigues Brito, o motivo da paralisação do serviço está relacionada à falta de incentivos do poder público.
Segundo ela, vários fatores contribuem com a decisão. O primeiro deles é que a falta de um espaço adequado. “Nossos coletores trabalham no sol, sem uma cobertura adequada. Além dos riscos aos trabalhadores há o problema de acumulação de água pelos objetos, o que contribui para a proliferação do mosquito da dengue”, lamenta.

Outra questão é a de estrutura. “Hoje o coletor é obrigado a carregar no braço pesos incompatíveis com sua capacidade física para levar o produto até a máquina de triturar. Seria necessário investimentos numa esteira que pudesse auxiliar nesse sentido, o que sozinhos, não temos condições de arcar”, destaca.

A terceira situação é a econômica. “Sem uma política pública voltada para o Meio Ambiente em Dourados, ficamos nas mãos dos atravessadores. Isso faz com que a venda do produto triturado se torne inviável pois a cada 1 quilo do produto, a associação recebe apenas R$ 0,05 centavos. Não paga o valor da produção”, explica.

Segundo Adriana, a partir de agora a Associação não receberá mais vidros e a população que deixava os produtos no local terão que encontrar outra alternativa. “Não temos mais como acolher esse material”, lamenta. A coleta de vidros em Dourados existe há pelo menos 4 anos e de lá para cá retirou do meio ambiente cerca de 100 toneladas do produto por ano da natureza.

Estrago na natureza 
O vidro é o material que mais tempo leva a ser absorvido pela natureza, mesmo sendo produzido com elementos naturais, como a sílica, presente na areia das praias. Isto explica-se porque a composição do vidro faz com que ele seja extremamente resistente às alterações climáticas.

A decomposição total do vidro na natureza pode durar até 1 milhão de anos, dependendo das condições às quais o material é sujeito. Mesmo com grande variação, o tempo mínimo de desgaste total é de 4 mil anos – muito mais tempo que objetos fabricados com alumínio ou plástico (os plásticos em geral podem levar até 500 anos, sendo que alguns nunca se chegam a decompor; as latas de alumínio mais de 200 anos). Considerando que o vidro é uma descoberta “recente” (cerca de 6 mil anos atrás), estima-se que muitos dos primeiros fragmentos deste material ainda não tenham sido reabsorvidos por completo pela natureza.