Em Dourados, quase 3 mil mulheres são vítimas de violência

Em Dourados, quase 3 mil mulheres são vítimas de violência

2 de março de 2020 0 Por jornalismo

Dados da Polícia Civil revelam que 2.805 mulheres foram vítimas de violência doméstica em 2019, em Dourados . O número mostra que por dia, 8 mulheres são agredidas no município. As vítimas estão distribuídas em 1.529 ocorrências registradas na Delegacia. Isso quer dizer que por várias vezes um registro envolve mais de um denunciante, como a esposa e filhas, por exemplo.  A maior parte das vítimas, 1.112, tem entre 35 e 64 anos.  Em 2018 foram 1428 ocorrências, envolvendo 2.744 mulheres.

Segundo números do Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada duas horas, uma mulher morre no Brasil vítima de violência. O feminicídio está incluído nessa estatística. Em 2018, os registros de crime de ódio contra o gênero feminino aumentaram 12%.

Há 8 anos a Polícia Civil de Dourados, num entendimento com o Poder Judiciário e Ministério Público decidiu que a mulher vítima de violência não pode retirar a queixa na delegacia contra o agressor, que também não consegue se livrar das grades por meio de fiança. Todas as denúncias são levadas ao conhecimento do judiciário, porque no entendimento local o “espírito teleológico da lei não cabe fiança”. Isso tudo porque as mulheres acabam sendo vítimas duas vezes porque muitas vezes eram elas que pagavam a fiança do agressor.

Rede de enfrentamento 
Criada em 2015 no município de Dourados a  rede de enfrentamento, formada por diversos órgãos públicos de proteção, ajudam a empoderar as mulheres contra os agressores. Trata-se de uma série de serviços e ações voltados para garantir a aplicação da Lei Maria da Penha.

A rede é formada pela Delegacia da Mulher, Programa Viva Mulher, Defensoria Pública, 13ª Promotoria de Justiça e 4ª Vara Criminal. Em qualquer um desses serviços que a vítima procurar, ela ingressará na rede de atendimento com serviços psico-sociais que visam ajudar no que for preciso para que ela garanta sua integridade. Mais recentemente a rede ganhou a parceria do Estado e do Hospital Universitário que, através do projeto “Sala Lilás”, garante que vítimas de estupro receba atendimento de saúde, psicológico, de assistência social e policial, tudo num único espaço.

 Viva Mulher 
Centro de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, criado em 27 de novembro de 2001, é um serviço de acolhida que oferece acompanhamento psicossocial e jurídico, por meio da Defensoria Pública de Defesa da Mulher, às mulheres em situação de violência doméstica e familiar. O Objetivo do serviço é possibilitar que a vítima se torne protagonista de seus próprios direitos. A unidade fica localizada na Rua Hiran Pereira de Matos, 1520 – Vila Mary.