Depois que alguém põe para fora que a depressão lhe pegou, seja pessoalmente ou ainda que virtualmente, muita gente oferece apoio, tenta entender, dar conselhos. E aí começa o texto do médico falando que há sempre três tipos de pessoas:
“- Os que realmente apoiam e se importam.
– Os maldosos que atacam e criticam sem ao menos saber o que está acontecendo, e no fundo só querem usar o sofrimento alheio para afirmarem seu ego frágil…
– Os que falsamente apoiam “porque é o certo”, mas que no fundo querem criticar e até secretamente se regozijam de ver alguém sofrer, por despeito, inveja ou pura projeção de suas frustrações.
“Tá vendo como aquele casamento nem era tão bom assim?”
“É uma fresca! Tem tudo e ainda reclama!”
“Nunca ganhei flores do meu marido e não fico de mimimi…”
“Se tivesse fé em Jesus não ficava deprimida.”
“Queria ver se fosse uma mulher passando fome na favela, etc,etc,etc”
Ou seja, aquela crítica velada, aquela alfinetada, aquele ressentimento disfarçado.
Por vezes por pura inveja, por vezes por ignorância, mas sempre por falta de empatia.
Muita gente enche a boca para falar que “se curou da depressão sozinha”, porque mudou de igreja, tomou “chá de baba de virgem”, fez “coaching”, tomou shake dietético ou fez alguma outra coisa que prova o quanto ela é f* por ter “superado sozinha”… (Afinal na sua visão egocêntrica, só os “inferiores” precisam de medicação)…
Mas depressão não é tristeza.
A tristeza é um sentimento comum que todos sentem em algum momento da vida, onde geralmente há um motivo (exemplo: traição, perdas, etc), a reação é culturalmente proporcional ao motivo (exemplo: seria natural sentir tristeza extrema pelo luto por um filho, ou uma moça estuprada ficar muito abalada por semanas ou meses, mas não seria razoável tentar suicídio por perder um celular…), há pouco prejuízo em outros aspectos (ou seja, você está triste com uma coisa mas “funciona” em outras) e há melhora gradual.
Já a depressão é uma doença onde há a interação de três aspectos:
O aspecto “físico”, o psicológico e o social.
De maneira simplificada, o “social” seria a vida que levamos.
Os fatos que acontecem na nossa vida, e que nem sempre temos controle. Um casamento em crise, uma vitória numa competição, uma perna quebrada, ganhar na mega-sena, viajar, um chefe chato ou qualquer outro evento.
As pessoas tendem a exagerar a importância desse aspecto, ignorando os outros.
Como se apenas pessoas “azaradas”, miseráveis, que passem por desgraças ou com “vida sofrida” tivessem direito a ter depressão. Mas então por que atores vencedores do Oscar se suicidam? Por que modelos milionárias usariam drogas? Por que um profissional de sucesso pode ter ataques de pânico?

Outro aspecto por vezes exagerado e por vezes menosprezado é a questão psicológica, que em resumo seria o modo como a pessoa “interpreta os fatos”, ou seja, como o “social” influencia a vida dessa pessoa. Aqui entra a personalidade, inteligência, sabedoria, traumas, crenças, filosofias e todos os fatores que definem nossa consciência e maneira de pensar.
Não existem duas pessoas no mundo que interpretem tudo igual. Nem mesmo irmãos gêmeos terão exatamente as mesmas experiências que vão moldar nosso aspecto psicológico. Os fatos acontecem e a mente interpreta com base nas nossas vivências, valores, etc.