A criança na fase da alfabetização

A criança na fase da alfabetização

29 de julho de 2020 0 Por redacao

A fase da alfabetização não é fácil, momento em que a criança entra em contato com o mundo das letras, ela que, se quer acabou de aprender a se comunicar oralmente, a comunicar o que sente e o que quer, e, de repente, vem essa cobrança da escrita, vem um monte de cadernos para serem preenchidos, que ela nem sabe como, e a cobrança dos pais e professores. Ler e escrever não se aprende da noite para o dia. Aprender a ler e escrever leva um tempo do tamanho do ensino fundamental, não é necessário pressa e cobranças excessivas.

Precisamos estar atentos que, a alfabetização não se restringe apenas a decodificação do alfabeto, não é somente juntar umas letras aqui e outras lá. Ler e escrever vai além, ler e escrever é expressar o que se pensa e o que se sente, é saber que essa comunicação precisa de alguém que fale e alguém que escute.

Com 3 e 4 anos, por mais que a criança esteja escrevendo as letras, geralmente as letras do seu próprio nome, (o modelo mais carregado de afetividade é o próprio nome), ainda tem um caminho para percorrer, um caminho que deve ser planejado pela escola e que pede tempo, um tempo sem pressa, sem pressão, um caminho que equilibra brincadeira, jogos, músicas, danças, pinturas e desenhos com letras e números. As crianças são alfabetizadas até os 6/7 anos de idade, uma época fundamental para possíveis intervenções, tornando o aprender divertido para a criança, e voltando a sua atenção para tudo que tenha letras, o que faz da educação infantil a etapa fundamental da escolaridade. Crianças estimuladas na infância dominam maior número de palavras, demonstram mais habilidade com estratégias matemáticas, tem uma vida escolar mais bem sucedida e comportamentos sociais mais desenvolvidos, em um ambiente de vínculos fortes e saudáveis, amor e respeito. 

A família é a primeira escola, é nela que tudo começa. Acredito profundamente que ter um filho exige responsabilidade, que educar filho é observar, apoiar, dar colo de mãe e ombro de pai, com uma autoridade amorosa e firme. Incentive seu filho a ler, leia sempre para ele desde bebê até que ele aprenda a ler sozinho, e, mesmo depois dele ter aprendido continue lendo para ele, antes de dormir por exemplo, um momento de interação cheio de afeto, que se tornará uma rotina e se transformará em hábito de leitura. Escrever e ler com a criança: listas de compras, receitas, placas com os nomes das ruas, observar os nomes das lojas, mostrando a ela que o universo letrado está por toda a parte.

Lembrando que não se deve comparar as crianças umas com as outras, cada criança possui um caminho diferente para a aprendizagem, isso faz de cada uma única, e cada uma delas nos ensina algo de novo, desde que, seja dada a ela a oportunidade de expor seu ponto de vista. A criança tem de ter a oportunidade de alcançar o seu entendimento com ritmo próprio. A grande conquista é a disponibilidade de fazer: “quero ler”, “quero escrever”, com entusiasmo, empolgando-se, comprometendo-se na realização de cada atividade, e, neste processo, cabe aos adultos enxergar as produções das crianças com os olhos da criança. 

Seu filho(a) já compreendeu e faz diferenciação entre o traçado e a escrita? Percebeu que cada letra tem um som? Percebeu que as palavras são compostas de pequenas partes? Descobriu maneiras diferentes de pensar as próprias ações e tem vontade para realizar atividades que trazem descobertas? Ótimo, tudo está indo muito bem. Por iniciativa própria, a criança recorre aquilo que já domina, a linguagem oral, para entender melhor aquele sistema representativo que está em processo de aquisição que é a linguagem escrita. A criança escuta o som que a boca emite. Como me disse uma criança uma vez no consultório psicopedagógico: “é que quando eu falo a letra passa na cabeça, aí eu vejo ela na minha cabeça e escrevo”. É pela observação atenta e pela escuta interessada que se caminha junto a criança para a alfabetização, e, crianças aprendem melhor se estiverem bem emocionalmente, pois somos mais seres emocionais do que cognitivos. 

Denise Caramori 

Psicopedagoga/Terapeuta

Equoterapeuta/Equitadora

denicaramori@hotmail.com