Rota do crime: de cada 10 cigarros vendidos, 7 são contrabandeados em MS, aponta pesquisa
8 de junho de 2024Mercado ilegal movimentou em média R$ 414 milhões em 2023 no estado; levantamento realizado pelo Fórum Nacional de Combate à Pirataria e à Ilegalidade (FNCP) mostra ainda que das dez marcas mais vendidas no Brasil, três são contrabandeadas.
De cada 10 pessoas fumantes em Mato Grosso do Sul, 7 compram cigarros contrabandeados, isso é o que mostrou o último levantamento realizado pelo Fórum Nacional de Combate à Pirataria e à Ilegalidade (FNCP). No estado, 74% dos cigarros vendidos em 2023 vieram do contrabando – taxa muito acima da nacional, de 36%.
O levantamento mostrou que cerca de R$ 124 milhões deixaram de ser arrecadados no estado em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), sendo esse um dos principais tributos de receita para fomentar políticas públicas.
O cigarro continua encabeçando a lista dos itens mais apreendidos pela Receita Federal. De acordo com a FMCP, o item representa 54% do total de produtos apreendidos entre janeiro e dezembro de 2023.
Fronteira estratégica para criminosos
Ao g1, o advogado e presidente do FNCP, Edson Vismona, esclarece que o perfil da fronteira coloca Mato Grosso do Sul como ponto crucial na rota dos contrabandistas. O preço do cigarro contrabandeado é considerado o principal atrativo para quem consome o produto irregular. Enquanto, no Brasil os impostos sobre o cigarro ficam entre 70% e 90%, no país vizinho a taxa média é de 13%.
“A fronteira com o Paraguai é porta de entrada para o cigarro contrabandeado no país. Os produtos que chegam em Mato Grosso do Sul e no Paraná são distribuídos via terrestre e fluvial. O produto contrabandeado é mais barato porque não o consumidor não paga imposto, não pagar imposto representa pagar um valor muito mais baixo pelo produto”.

