Brasileiros buscam cura pra coronavírus desde janeiro e já têm 5 candidatos

Brasileiros buscam cura pra coronavírus desde janeiro e já têm 5 candidatos

27 de março de 2020 0 Por redacao

Muito antes do primeiro caso oficial de coronavírus surgir no Brasil, cientistas do país já buscavam uma cura ou um tratamento. Desde o fim de janeiro, pesquisadores do Cnpem (Centro Nacional de Pesquisas em Energias e Materiais), em Campinas (SP), investigam medicamentos que podem ajudar quem adoeceu de Covid-19. Menos de dois meses depois do início dos testes, que envolveram mais de 2.000 candidatos a tratamentos, restaram cinco opções consideradas as mais promissoras. Começa agora uma nova fase de testes.

O Cnpem, onde a maior parte da pesquisa é feita, é um centro independente de pesquisas, mas supervisionado pelo MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações). Ele conta com laboratórios nacionais de nanotecnologia, biociências, biorrenováveis e de luz síncrontron, sendo este último o responsável por um dos mais avançados aceleradores de partículas do mundo.

A busca por um medicamento envolve o “reposicionamento de fármacos”. O que é isso? Eles selecionam medicamentos que já estão nas prateleiras das farmácias, portanto já aprovados para uso humano. Dos 2.000 iniciais —eram analgésicos, anti-hipertensivos, antibióticos e diuréticos, entre outros— o número caiu para 16 e, posteriormente, para cinco medicamentos mais promissores, baratos e disponíveis no mercado brasileiro.

A intenção dos pesquisadores era ver se algum dos milhares de fármacos selecionados poderia interagir com a protease [um tipo de enzima] do coronavírus para evitar sua replicação no corpo humano. Nesta fase da pesquisa, foram feitas análises e simulações computacionais com inteligência artificial para entender quais medicamentos poderiam inibir a enzima e funcionar como um antiviral.

“Esse encaixe não ocorre de maneira fácil. É como buscar uma chave [medicamento] em um chaveiro cheio delas [muitos compostos]. Essa chave deve se encaixar perfeitamente na fechadura do vírus [locais específicos das proteínas dos vírus capazes de bloquear sua atividade]”, diz ao Tilt Daniela Trivella, coordenadora científica do LNBio (Laboratório Nacional de Biociências) do Cnpem.

“Estas regiões específicas das proteínas virais são importantes para realizar reações químicas, infectar células humanas e propagar o material genético viral —fases fundamentais de uma infecção. Por isso, são estas fechaduras que miramos”, aponta Trivella.

Com os cinco compostos selecionados, a pesquisa entra em uma nova fase de análise in vitro — em cultura de célula com contato direto com o vírus. A intenção é ver, na prática, como os compostos e medicamentos selecionados interagem com o coronavírus. O nome dos compostos nesta fase não será informado, já que o estudo ainda não está completo.