Depressão: A angústia de se sentir insignificante.
1 de outubro de 2020É possível evitar angústias neste mundo? Depressão é uma doença que atinge mais de 12 milhões de Brasileiros e esta relacionada a maior parte dos casos de suicídio. É preciso falar sobre isso, quebrar os estigmas e preconceitos, pois há ainda muita desinformação quanto à esta doença.
Muita gente ainda tem a terapia e a depressão como coisa de gente fresca ou doida e mais um monte de preconceitos, mas quando se está doente não é normal procurar um médico? Então, porque tanto preconceito com a saúde mental? Terapia é uma coisa muita comum e muitas vezes é necessária, o psiquiatra é o especialista no caso de depressão, e ninguém deve sentir vergonha de procurar tratamento.
Quando uma pessoa chegar até você para desabafar que esta se sentido mal sobre sua saúde mental, com sintomas de desânimo, ausência de autocuidado, tristeza permanente e incapacitante, sentimento de culpa, dificuldade para dormir ou que esteja dormindo demais, dificuldade de concentração e apatia, é mais importante ouvir do que falar, com calma, paciência e muito acolhimento, e mais importante ainda é ajudar a pessoa a buscar tratamento.
É preciso entender que saúde mental e física estão interligadas, que a depressão também esta relacionada aos desequilíbrios químicos no cérebro e é exatamente por isso que muitas vezes, o tratamento requer, além de psicoterapia, o uso de medicação junto à prática de exercícios físicos.
Depressão é uma doença que tende a ser crônica e recorrente, principalmente quando o tratamento não é feito de maneira adequada, é uma doença que não se cura, na melhor das hipóteses, ela pode ser controlada, contida, e contê-la é tudo o que os atuais tratamentos almejam, e, mesmo que ter fé ajude muito no processo e seja importante, não é possível colocá-la no lugar do tratamento clínico.
Há uma diferença entre como você se sente e como você age perante os outros, assim, a depressão pode ser descrita como o sofrimento emocional, silencioso, que se impõe sobre a pessoa contra a sua vontade. Um pesar desproporcional à circunstância de vida da pessoa. Ela mina as pessoas como a ferrugem enfraquece o ferro, a ferrugem esta lá, incessantemente transformando o sólido em pó. É o total desaparecimento de algo – a esperança. A depressão asfixia, cresce e domina o ser humano, e a pessoa desaparece sob algo mais forte do que ela.
A reconstrução do eu numa depressão e depois dela exige amor, trabalho e mais do que tudo, tempo, o diagnóstico é tão complexo quanto a doença, porque a depressão atinge pessoas diferentes de modos diferentes. A luta assume a forma de busca por tratamento. E é importante buscar ajuda enquanto voce ainda esta suficientemente forte para fazê-lo. A maioria das pessoas ja teve momentos de desespero, mas se estes momentos duram meses e parecem permanentes, estamos diante de uma doença aleijante. A pessoa não morre de suicídio, morre de depressão, porque quem quer se matar não quer terminar com a vida, quer acabar com o sofrimento, quer matar a dor de existir.
Denise Caramori
Psicopedagoga/Terapeuta
Equoterapeuta/Equitadora

