
Homem que se passava por falso PF e recebia propina é preso em Dourados
26 de fevereiro de 2019Um homem foi preso na manhã desta terça-feira (26) em Dourados acusado de se passar por policial federal para obter propinas de chefes da “Máfia dos Cigarros”. A ação foi deflagrada pela própria Polícia Federal durante a segunda fase da Operação Nepsis que cumpriu outros três mandados de busca e apreensão no município.
De acordo com a PF, durante a primeira fase em setembro de 2018, foi descoberto que uma Organização Criminosa formou um verdadeiro consórcio de grandes contrabandistas, com a criação de uma sofisticada rede de escoamento de cigarros contrabandeados do Paraguai pela fronteira do Mato Grosso do Sul, a qual se estruturava em dois pilares: um sistema logístico de características empresariais e, ainda, a corrupção de policiais cooptados para participar do estratagema criminoso.
Nesse cenário de corrupção policial sistêmica, o preso identificou a oportunidade de se passar por Agente de Polícia Federal e vender informações aos chefes da “máfia dos cigarros” sobre possíveis operações policiais, recebendo valores em nome de uma equipe inexistente de policiais federais fictícios, bem como em nome de membros do Poder Judiciário. Há registros de solicitação de pagamentos no valor de R$ 1 milhão para prejudicar o andamento de uma suposta Operação Policial.
Além disso, o falso policial atuava auxiliando no escoamento logístico dos cigarros contrabandeados, prestando serviços de contravigilância, ou seja, favorecendo o monitoramento pela Organização Criminosa da fiscalização policial nas rodovias.
O preso foi indiciado pelos crimes de Organização Criminosa (art. 2º da lei n. 12.850/2013) e Tráfico de Influência (art. 332 do Código Penal).
A Operação
Segundo a mitologia grega, “Nepsis” significa vigilância interior, estado mental de atenção plena. A operação foi assim batizada em alusão à vigilância necessária para se combater as sofisticadas atividades criminosas ligadas ao contrabando e à vigilância em relação à própria atividade de fiscalização estatal para conter a corrupção de servidores públicos.
fonte: PF